domingo, 7 de dezembro de 2014

CONTO: CAROLINA


Fonte: http://www.pinterest.com/saluzzo/weird-strange/

CAROLINA

Carolina era pequena
Alva, que nem cera de vela
Tinha flores, rendas, laços
Por todo o vestido dela

Seu cabelo era dourado
Caindo em cachos pelos ombros
Mas seus olhos eram negros
Pareciam dois assombros

Carregava uma cesta
Pendurada em seu bracinho
E batia de porta em porta:
- TOC, TOC, quer um docinho?

Com seus sapatinhos pretos
Pelas ruas saltitava
E todo o povo já sabia
Era Carolina que chegava

- TOC, TOC, quer um docinho?
E a pessoa abria a porta
Tanta coisa pra escolher!
Chocolate, pé-de-moça e torta!

Cocada, brigadeiro
Paçoca de amendoim
- Puxa vida, que delícia!
- Tudo isso é pra mim?

Carolina abria a boca
Num esgar torto e cruel
Mas ninguém nem percebia
Distraídos com o mel

Cada um se deleitava
Com os doces da cestinha
E lá vinha Seo Cachorro
Receber sua comidinha...

Seo Cachorro?

Seo Cachorro era um verme
Que Carolina criava
Para onde ela ía
Seo Cachorro acompanhava

Seo Cachorro era enorme
Branco, fofo e rechonchudo
Tinha as patas bem pequenas
Tantas, nem consigo contar tudo

De cachorro, não tinha nada
Mas foi o nome que ela deu
Melhor do que se chamar
Filigranas Prometeu

E se você algum dia
Ouvir falar nesse nome
Avise toda a vizinhança
Tranque a casa, esconde ou corre

Porque lá vem Carolina
E Seo Cachorro logo atrás
Bater nas portas, oferecer doces
Do jeito que ela sempre faz

Minha avó já me dizia:
"Não abra a porta pra gente estranha!"
E sabe que ela tem razão
Obedeça e não seja tacanha

Porque Carolina é fofa
E de longe parece um anjinho
Mas se você abrir a porta
E comer só um docinho

Vai ficar paralisado
E o Seo Cachorro tem fome
Cada pessoa que pega um doce
Seo Cachorro vai e come!

Marie Jo

Abril/ 2014


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