terça-feira, 20 de maio de 2014

Poema - As Cartas



As Cartas

Haviam cartas naquela mesa.
Que nunca foram lidas.
Ninguém as havia tocado até então.
Cobertas por uma sombra de dúvida,
Uma névoa de melancolia.
Pois todos sabiam que elas
Jamais chegariam ao seu destinatário.
Eu caminhei até a mesa e as toquei.
Abri-las seria um pecado, um sacrilégio.
E eu o fiz,
E ateei fogo
Nas cartas,
Na mesa,
No lugar
Onde eu estava.
E as labaredas lambiam minha face,
Revelando a crueza de minha alma.
Há coisas sem explicação
Que são ditas,
Palavras sem sentido,
Sentenças crápulas que são proferidas.
E que se em um momento nos abarrotam a vida,
Em outro já nem acalentam a si mesmas.
E são como aquelas cartas,
Longas cartas escritas e seladas,
Que nunca chegarão.
É tão sem sentido
Que eu continuo a fitá-las sem coragem
De dar o primeiro passo em sua direção.
Que tolice,
perder-me em tais devaneios!


Marie Jo em 26 de Janeiro de 2001.

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